domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quem não se comunica, se trumbica!



Nem tudo são flores no “mundo encantado da América”. Essa semana tive uma experiência nada agradável ao tirar minha carteira de motorista daqui. Um processo simples. Tudo é feito num único lugar e num dia só. Basta você levar toda a documentação necessária para retirada da carteira, fazer uma prova de conhecimento das leis de trânsito do seu estado e uma prova prática (no seu próprio carro). Processo simples. O André levou 40 minutos para fazer isso tudo. Comigo, esse processo que deveria ser simples, levou cerca de 5 horas. Cinco horas cheias de desgastes e ataques preconceituosos, por parte de funcionários insatisfeitos, mal amados e ignorantes, que deveriam servir o estado (Sim. Em todo lugar tem isso, infelizmente).

Tudo começou com o processo de entrega de documento. O senhor que me atendeu, de muita má vontade, fez de tudo para atrapalhar meu processo. Criou caso com tudo e quando viu que eu estava com todos os documentos certos, que não havia motivos para me impedir de tirar a carteira de motorista, começou a fazer tudo com mais má vontade ainda e com muita morosidade. Quando eu não entendia alguma coisa que ele falava (ele falava de qualquer jeito,pra dentro e muito rápido), ele dava um sorriso irônico e impaciente. Perguntou em que língua eu iria fazer a prova escrita, eu respondi que em inglês, ele riu e disse: “como você acha que vai fazer uma prova em inglês, se não consegue me entender ?”. Nessa hora me segurei para não chutar o balde e mandar ele pro inferno (já estava sofrendo humilhação demais por 1 hora), mas segurei a onda e gentilmente respondi: “O senhor poderia, por favor, falar mais devagar para eu te entender melhor?”.

Primeira etapa de humilhação passada, fui fazer a prova escrita. Acertei 80% da prova. Se não tivesse tão nervosa e chateada por causa daquele velho escroto, teria acertado tudo. Queria esfrega a prova na cara dele. Detalhe: o velho era igual aquele velhinho do UP! Uma Aventura nas Alturas.

Segunda e última etapa de humilhação: prova prática. Depois de horas esperando, chegou a minha vez de fazer a prova prática. Uma mulher seca, mal humorada e visivelmente de saco cheio foi a minha instrutora. Fomos até o meu carro, ela pediu para eu entrar no carro (enquanto ela ficava do lado de fora) e fui obedecendo aos comandos dela. “Coloca a seta do lado esquerdo”. “Seta do lado direito”. “Pisa no freio”. Até aí tudo bem, mas aí ela me pede: “press the horn”. Que diabos é horn?! Ferrou! Nunca tinha escutado isso antes. Nisso ela berrou do lado de fora: “anda logo, minha filha, não tenho o tempo do mundo”. Eu, educadamente, pedi desculpa e disse que não tinha entendido. Pra que? A mulher fez um cara de C* pra mim e fez sinal de que horn era buzina. Buzina?! Horn é buzina?! Juro. Nunca tinha aprendido isso. Na verdade nunca tinha precisado falar buzina em inglês. Bom, dei uma “hornzada” e ela entrou no meu carro para seguirmos com a prova prática. Ela continuou seca e antipática o trajeto todo. Fiz um prova prática impecável, mas no final ela reclamou que o limite de velocidade da pista era 40 miles e eu estava a 35 miles. Me diz? Quem numa prova de direção vai andar no limite de velocidade da pista?

Bom, terror passado, cá estou planejando uma viagem de carro pela Califórnia (no verão) e com carteira de motorista americana. Quanto ao velhinho e e mulher? Acredito que eles estarão no mesmo lugar de sempre, fazendo as mesmas coisas.