segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Don't worry. Everything is gonna be alright.



Já há algum tempo venho percebendo uma mudança no comportamento da minha filha, Ana. Ela tem estado mais insegura e com a ansiedade ligada na máxima potência. Ela está crescendo. E não estou falando só do crescimento físico, que é visível e as vezes assustador. Estou falando do seu crescimento de pessoa. Do seu crescimento de alma. Minha Ana está se tornando uma moça. E junto com esse crescimento vem um monte de dúvidas, incertezas e mudanças. A sua percepção do que é a vida está mudando. Ela já começa enxergar o mundo e sua vida de forma diferente. Ela está tomando consciência do seu crescimento, das diferenças que existem no mundo (e nela) e de que em algum momento da vida as pessoas vão embora para sempre. Tudo isso tem a deixado muito insegura e ela já começa a projetar coisas futuras e sofrer por elas. O “mas e se isso acontecer?”, “mas e se eu não conseguir?”, “E se…”, “ Será que…”, tudo isso virou uma constante e mesmo com inúmeras conversas incentivadoras, carinhos e ajudar na sua autoestima, a coisa não passa. Sua cabecinha está a mil e nada acalma seus pensamentos. Foi por isso que decidi apresentar e dar para ela uma dose de Bob Marley.

Bob Marley, pra mim, sempre foi o maior representante do que a gente pode chamar do pensamento positivo. Foi por isso, que achei que era a hora dele entrar na vida da Ana. Mais do que palavras incentivadoras e apoio familiar, acho que a Ana está precisando enxergar as coisas de uma forma mais positiva. Os problemas existem. As diferenças existem. Sempre vai existir algo que ela não vai conseguir fazer e que outra pessoa vai conseguir fazer e tudo bem. Isso é normal. Sem dramas quanto a isso. A vida é feita de frustrações e de sucesso. Ela, como todo mundo, terá seus fracassos e seus sucessos e tudo bem! Ninguém é perfeito e não precisamos ser. É claro que sempre iremos incentivá-la a fazer o melhor, mas acho que, agora, ela precisa mais aceitar sua limitações, onde ela achar que existem e enxergá-las de forma positiva. É hora de entender que ela pode transformar tudo isso em algo positivo. Voltando para Bob Marley, nessa minha tentativa de amenizar suas incertezas e frustações, o tempo todo eu só tinha uma mensagem na cabeça e que gostaria muito de transmitir para ela: don’t worry. Everything is gonna be alright.  Pensando nisso, fui no Youtube e tentei achar algum video da música Three little birds para mostrar pra ela. Acabei mostrando a versão que o Gilberto Gil fez pra música, pois o vídeo é uma animação bem bacaninha e achei que para ela seria mais interessante. Quando começou aquele reggaezinho macio e gostoso, ela já começou a dar uma relaxada, daí veio a letra e tudo ficou mais fácil e claro. Tudo bem que ela não entendeu nada quando viu o Bob Marley fumando “cigarro” num taxi voador, mas acho que a mensagem foi transmitida e fez Ana pensar mais positivamente sobre as mudanças que estão acontecendo na vida dela. É claro que depois mostrei o Bob Marley original pra ela e aí a noite foi longa, pois ela queria saber tudo sobre ele.

Essa situação fez muito bem pra mim também. Ana não é ansiosa à toa. Puxou a mãe. Eu também estava vivendo dias tensos relacionados a projeção que estou fazendo da nossa volta para Brasil. Falta menos de 1 ano para voltarmos e isso estava me deixando piradinha. “O que vai acontecer quando voltar?”, “Será que vou conseguir trabalhar de novo?”, “ Será que terá algum lugar pra mim?”, Será que vou continuar fazer as mesmas coisas de antes?”, “ Poxa…queria fazer algo  novo”, “Será que vou conseguir?”. Isso foi bom pra eu parar e pensar: sim, falta menos de 1 ano, então vamos aproveitar e viver isso. Viver o nosso presente. Viver essa vidinha simples, sem grana, mas livre. Vamos aproveitar isso e curtir cada passeio de bicicleta pela cidade, cada patinada no gelo, cada ida a biblioteca, cada dever de casa que tenho o prazer de ajudar a minha filha a fazer, cada dia de sol e cada dia da minha vida em Urbana.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

My life in Urbana




Since I came here I have learned a lot. I learned things that I never imagined I would learn. Wait! I didn’t learn important things. I learned simple and funny things, for example: I cook! I can do my nails by myself (I don’t know which is the right way to say this is English). I have time for Ana, I have time to go to the Gym, I learn Ice skating and I take care of my house. Everything is progress, except my English. I can do everything, except speak English!

Frustration: my frustration here is my English. Of course I have had progress with my English. When I came here I didn’t speak nothing. Now I understand better, I read better, I write better, but I can’t speak better. My speaking is a disgusting. My accent is strong and everything disappears in my mind when I try to speak. And worst: now I feel like my English stopped! I have had a progress and now it stopped. Sometimes I think I have lost my English. I know, and who knows me knows that I’m very exaggerated, but is true! Or this is how I fell.

So because of this I decided write this post in English. Only to try and because I have time. Sorry for my mistakes. I’m just a Desperate Housewife.

sábado, 18 de maio de 2013

4 estações



Depois de longos meses de inverno, finalmente chegou a primavera e com ela nossa energia está de volta. É impressionante como uma estação do ano pode mexer tanto com a gente. Olha…viver 5/6 meses no frio de Illinois não é fácil, ainda mais pra quem sempre viveu em Brasília, como eu, e não fazia ideia de como é morar num lugar com estações do ano bem definidas. Como alguém comentou num post do André (no Facebook) "Brasília tem duas estações: calor e inferno".

No começo do inverno tudo era novidade. A neve era recebida com festa. Depois o frio foi aumentando e ficando insuportável. A vontade de sair de casa e vestir aquele monte de roupa era zero. Tudo foi ficando monótono, sem graça e chato. E quando você acha que vai enlouquecer de vez, chega a primavera, que estação linda! Todas as pessoas são contaminadas por uma alegria generalizada. Saem nas ruas e aproveitam cada minuto do dia para fazer algo ao ar livre: correr, andar de bicicleta, jogar Frisbee, fazer BBQ, subir em árvore, etc…

O que estou achando mais bacana é voltar a ver as crianças brincando do lado de fora. Moramos numa área residencial onde estudantes de pós-graduação vivem com suas famílias. Tem gente do mundo inteiro e, é claro, alguns Brasileiros. Já viu, né? A turma está formada! Eles brincam o tempo todo do lado de fora. Uma turma muito bacana. Acho que a Ana nunca teve tantos amigos e brincou tanto. Me lembra demais a turma da Octogonal, assim como lembra, para o André, o clima da turma da Colina, quando ele era criança. O legal é que essas crianças brincam livres e com segurança. A gente deixa a porta de casa aberta e as crianças vão entrando e saindo. Nossa casa virou o point da galera. Quando estão cansados entram, pegam água e saem correndo lá pra fora de novo. André, que está de férias, coloca pilha na molecada. Faz churrasco, vídeos e inventa brincadeiras. Virou o tio da galera.

É a primavera e seus encantos. Depois de um inverno sofrido, estamos vivendo merecidamente esse momento e olha que ainda vem o verão e mais 3 meses de férias.

Próximo post: Califórnia Muellers e El-Moors.








domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quem não se comunica, se trumbica!



Nem tudo são flores no “mundo encantado da América”. Essa semana tive uma experiência nada agradável ao tirar minha carteira de motorista daqui. Um processo simples. Tudo é feito num único lugar e num dia só. Basta você levar toda a documentação necessária para retirada da carteira, fazer uma prova de conhecimento das leis de trânsito do seu estado e uma prova prática (no seu próprio carro). Processo simples. O André levou 40 minutos para fazer isso tudo. Comigo, esse processo que deveria ser simples, levou cerca de 5 horas. Cinco horas cheias de desgastes e ataques preconceituosos, por parte de funcionários insatisfeitos, mal amados e ignorantes, que deveriam servir o estado (Sim. Em todo lugar tem isso, infelizmente).

Tudo começou com o processo de entrega de documento. O senhor que me atendeu, de muita má vontade, fez de tudo para atrapalhar meu processo. Criou caso com tudo e quando viu que eu estava com todos os documentos certos, que não havia motivos para me impedir de tirar a carteira de motorista, começou a fazer tudo com mais má vontade ainda e com muita morosidade. Quando eu não entendia alguma coisa que ele falava (ele falava de qualquer jeito,pra dentro e muito rápido), ele dava um sorriso irônico e impaciente. Perguntou em que língua eu iria fazer a prova escrita, eu respondi que em inglês, ele riu e disse: “como você acha que vai fazer uma prova em inglês, se não consegue me entender ?”. Nessa hora me segurei para não chutar o balde e mandar ele pro inferno (já estava sofrendo humilhação demais por 1 hora), mas segurei a onda e gentilmente respondi: “O senhor poderia, por favor, falar mais devagar para eu te entender melhor?”.

Primeira etapa de humilhação passada, fui fazer a prova escrita. Acertei 80% da prova. Se não tivesse tão nervosa e chateada por causa daquele velho escroto, teria acertado tudo. Queria esfrega a prova na cara dele. Detalhe: o velho era igual aquele velhinho do UP! Uma Aventura nas Alturas.

Segunda e última etapa de humilhação: prova prática. Depois de horas esperando, chegou a minha vez de fazer a prova prática. Uma mulher seca, mal humorada e visivelmente de saco cheio foi a minha instrutora. Fomos até o meu carro, ela pediu para eu entrar no carro (enquanto ela ficava do lado de fora) e fui obedecendo aos comandos dela. “Coloca a seta do lado esquerdo”. “Seta do lado direito”. “Pisa no freio”. Até aí tudo bem, mas aí ela me pede: “press the horn”. Que diabos é horn?! Ferrou! Nunca tinha escutado isso antes. Nisso ela berrou do lado de fora: “anda logo, minha filha, não tenho o tempo do mundo”. Eu, educadamente, pedi desculpa e disse que não tinha entendido. Pra que? A mulher fez um cara de C* pra mim e fez sinal de que horn era buzina. Buzina?! Horn é buzina?! Juro. Nunca tinha aprendido isso. Na verdade nunca tinha precisado falar buzina em inglês. Bom, dei uma “hornzada” e ela entrou no meu carro para seguirmos com a prova prática. Ela continuou seca e antipática o trajeto todo. Fiz um prova prática impecável, mas no final ela reclamou que o limite de velocidade da pista era 40 miles e eu estava a 35 miles. Me diz? Quem numa prova de direção vai andar no limite de velocidade da pista?

Bom, terror passado, cá estou planejando uma viagem de carro pela Califórnia (no verão) e com carteira de motorista americana. Quanto ao velhinho e e mulher? Acredito que eles estarão no mesmo lugar de sempre, fazendo as mesmas coisas.